Ócio: A doce arte de não fazer nada

Conforme envelhecemos, percebemos que, na verdade, o tempo é um bem mais importante que o dinheiro e, provavelmente, um investimento muito mais rentável. Isso, levando em consideração que ele é tão finito quanto os recursos financeiros, mas que, quando ele ele acaba, você não tem uma maneira de ganhar mais.

Matéria prima dos poetas e filósofos, o ato de não fazer absolutamente nada é um dos mais importantes hábitos criados pela humanidade, responsável pelo nosso bem-estar pessoal e cultural, e aparenta estar passando por uma morte lenta na era digital.

Muito distante daquilo que chamamos de preguiça, o ócio é o recanto onde encontramos o propósito para as coisas que fazemos. Ele é o princípio motivador. Antes de fazermos, imaginamos. Antes de tomarmos qualquer ação, é necessário um momento de concepção, de ócio, de criação, para que exista um propósito para as coisas. Assim, o ócio é o momento onde nos permitimos um desprendimento do cotiano e vagamos à contemplação, pulando de ideia em ideia, de hipótese em hipótese, despreocupados, até encontrarmos uma potencial verdade.

No entanto, será que a ociosidade é uma expertise humana que enfrenta seu fim? Quantas vezes conseguimos parar para sentar em silêncio, simplesmente desocupados? Hoje, nenhuma visão é mais incomum do que encontramos alguém perdido em seus próprios pensamentos, com olhos distantes, e que não esteja totalmente absorto pela tela de seu celular.

Há pouco mais de quatro anos, eu ainda não possuía conexão de Internet no smartphone (na verdade, eu não possuía um smartphone) e, com certeza, acredito que era mais produtivo naquela época, ao menos para os meus parâmetros pessoais. Ao meu ver, existe na sociedade contemporânea uma necessidade pungente de se demonstrar que está fazendo alguma coisa em tempo integral, o que gerou uma repulsa ao ócio, onde chegamos a argumentar que o ócio só é válido se for produtivo.

Hoje, tenho como convicção pessoal a importância do ócio improdutivo como algo essencial para o desenvolvimento de ideias e de um estado mental mais saudável. Através dele, observamos melhor o que acontece ao nosso redor, nos tornamos mais sensíveis ao mundo e às pessoas que nos cercam, e mais atentos ao lugar onde estamos.

Além disso, a a grama que cresce e o silêncio também são dignos de nossa atenção.

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