A importância da gestão da beleza

O que precisamos para viver? Se pensarmos rapidamente, listaremos itens como: comida, água, um teto, sexo e por aí vai. Apenas coisas tangíveis e que não nos diferenciam dos outros animais que compartilham esse mesmo mundinho azul. Afinal, nossa comida pode ter vindo do restaurante mais elegante da cidade, mas, simploriamente, é apenas comida e tem o único objetivo de nutrir.

O que nos diferencia dos outros animais é a percepção do intangível, das coisas que movem a alma. E, entre essas coisas, está a nossa capacidade de percepção da beleza, ou seja, em um primeiro plano, do ambiente do restaurante, de como os alimentos foram dispostos no prato, das suas cores etc. Depois, quem sabe, do sabor, da textura e da música. A beleza é formada por vários elementos, uns visíveis e outros não, que unidos formam a experiência.

A ideia de escrever este artigo surgiu após assistir este TED, que indiretamente aborda nossa capacidade de discernir a experiência do belo como um poderoso catalisador de mudanças sociais. E como algo capaz de criar nas pessoas a poderosa sensação de encantamento e felicidade.

Me fez pensar que se a beleza é tão motivadora, por quê não gerenciamos as marcas com ela sempre em mente? E, se o encantamento e a felicidade das pessoas é tão importante, por quê não damos o mesmo valor a eles em nossas métricas que damos ao ROI e ao engajamento?

A beleza deve ser o princípio de tudo.

Desde que passamos a andar sobre duas patas e a reconhecer a beleza, a perseguimos em todos os aspectos da nossa experiência com o mundo, afinal, ela é o mais próximo contato que podemos ter com o “divino”. É a única sensação que não está diretamente ligada a uma necessidade material e, assim, nos coloca mais próximos do sublime e do encantamento.

A beleza é um conceito estabelecido pela comunidade.

O belo não é uma realidade absoluta e intocável pelas pessoas: ele é o resultado do trabalho humano realizado em comunidade e sujeito às noções, dogmas e influências da sociedade no qual está inserido. Ou seja, trocando em miúdos, o bonito de uns é o feio dos outros.

Pense, isso realmente facilita as coisas. Se a beleza é um conceito coletivo, pode ser pesquisada, analisada, segmentada e aplicada a favor da comunidade que pretendemos atingir.

A beleza é descomplicada e não precisa gritar por atenção. 

Por ser criada a partir da sociedade, a beleza é sempre simples aos nossos olhos. Assim, o belo é dificilmente encontrado no que é complexo demais para nós, justamente por ele ser de fácil entendimento. Para ser belo, mantenha as coisas simples de serem compreendidas.

Aristóteles considera os aspectos da ordem, da simetria e do limite para que as coisas sejam consideradas belas. Pausa. Pare e leia de novo: ordem e limite. Em geral, o excesso, seja de elementos, de informações ou de processos, é sempre caótico e o caos gera ansiedade perante a desordem e não encantamento.

A beleza determina a experiência.

Se a beleza é descomplicada, podemos considerar que a experiência do usuário, quando conduzida de forma simples e serena, poderá ser reconhecida como bela e elevada à sensação de encantamento, que é intangível e conectada ao “espírito”.

Esta é aquela experiência com a qual sonhamos para os nossos usuários: nunca será esquecida, pois não está no plano físico.

A beleza muda a forma das pessoas interagirem.

Guardadas as devidas idiossincrasias de cada nicho social, nossa percepção de “bom” ou “ruim” está diretamente ligada ao que consideramos belo ou não. Por exemplo, um lugar “belo” tende a ser preservado por aqueles que o frequentam, enquanto um ambiente julgado “feio”, a ser ainda mais degradado ou, na melhor das hipóteses, ignorado.

Além disso, temos a tendência de sermos mais permissivos com o belo, de forma que pequenos erros sejam aceitos e relevados em prol de mantermos a sensação de encantamento que, inconscientemente, não queremos que deixe de existir. O que é ótimo, se pensarmos que as marcas são feitas por pessoas e pessoas erram o tempo todo.

Baseie suas métricas no encantamento e na felicidade da sua audiência.

Métricas são importantes e ponto. Elas nos ajudam a mensurar se estamos no caminho certo e se as coisas estão acontecendo do jeito que planejamos. A questão é que, muitas vezes, analisamos apenas os números estampados em nossa cara e acabamos não levando em consideração outros fatores, como: estamos encantando? As pessoas são mais felizes conosco?

Vá além de suas planilhas e tente medir o encantamento das pessoas com quem sua marca interagiu. É o encantamento que faz as pessoas voltarem e não a satisfação com o serviço ou o produto. Comprar uma vez não quer dizer comprar de novo ou indicar que os outros comprem.

Se ensinassem a beleza para as pessoas, elas seriam dotadas de uma arma contra a desistência, o medo e as omissões. Precisamos educar as pessoas para a beleza: para que em homens e mulheres não se insinue o habito e a resignação mas fiquem sempre vivas a curiosidade e o estupor. – Peppino Impastato

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s