Como as crises podem ser boas para as marcas

Pois é, estamos aí, passando por mais um momento de instabilidade econômica e governamental no Brasil. Escândalos políticos, alta das moedas estrangeiras, inflação e investidores que perdem a confiança no país. Tudo isso junto e misturado levando a uma diminuição do consumo, a um consequente cortes de custos dos investimentos, demissões em massa e a um eventual cagaço geral nos empresários. E não é para menos, crises são assustadoras. E devem ser.

Afinal, são as crises que quebram empresas, destroem patrimônios e trituram sonhos em pedacinhos bem pequenos. No entanto, também são elas que forçam a inovação dos mercados, a criatividade, a pesquisa e o desenvolvimento e, no final, acabam de certa forma separando “o joio do trigo”, ou seja, quem ficou parado e acabou sendo engolido, daqueles que investiram em estratégias inovadoras em busca de novos campos para desenvolvimento e possibilidades para atravessar momentos delicados.

Tenha medo sem medo.

Esqueça as frases motivacionais do Luiz Fernando Veríssimo e do Charlie Chaplin que repetem incessantemente no Facebook a mesma ladainha que “o medo é o pior inimigo da felicidade e do sucesso” e blablablá. O medo é o grande responsável pela evolução humana e por não termos virado comida de urso quando ainda andávamos por aí com um porrete na mão.

Particularmente, acredito que a visão negativa que temos do medo se deve a uma interpretação bastante contemporânea do arquétipo do Herói como um ser totalmente destemido de medo e que enxerga-o como uma covardia que o impede de seguir em frente, vencer seus limites e conquistar seu lugar. Uma interpretação que está ligada a aplicação do arquétipo no marketing, com destaque para o esportivo e suas pessoas correndo, escalando e quebrando barreiras.

Na verdade, existe uma confusão entre medo e covardia como antônimos da coragem. A covardia está ligada a se render definitivamente ao medo, até ficar inerte, enquanto a coragem, por sua vez, está liga a suplantação do medo. No entanto, não é o medo em si que gera a inércia e, sim, a não-ação.

O medo nada mais é que uma reação animal de autopreservação, que é boa, se bem utilizada. Na verdade, é muito boa. Ele que nos força a ponderar profundamente situações, comportamentos, ambientes e, dessa forma, a encontrar uma forma de transpor dificuldades. Ou seja, o medo nos força a evoluir.

Seu medo vai salvar sua marca.

Então, vendo o medo como uma reação de autopreservação evolutiva e natural, uma crise é o momento ideal para sentar no divã e reavaliar os objetivos. Afinal, quando tudo está bem, o mercado está ativo, as ações acontecendo e o dinheiro entrando aos rios, é também natural que os problemas, pequenos ou grandes, sejam relevados.

Nunca é inoportuno uma reavaliação, mas as situações de crise nos impelem a isso. A questionar o caminho a marca está seguindo, como nossa audiência nos vê, como nossos stakeholders nos veem, se nosso design de serviços pode ser melhorado, se nossos recursos materiais e humanos são bem aproveitados, se os processos podem ser simplificados, como podemos nos diferenciar, e por aí vai.

O medo da crise é uma oportunidade única para reavaliar a estratégia, pesar os pontos fracos e fortes, e parar para pensar para que caminho sua marca está indo, afinal.

Encontrar um rumo contrário à crise

Um caso recente encontrou um caminho contrário à crise: em dois meses, a Faber Castell vendeu cinco vezes mais que o volume habitual de seus produtos, tudo isso devido a uma febre por livros para colorir para adultos. A empresa percebeu a oportunidade e se adaptou à demanda, inclusive criando novos produtos com valor agregado para atender esse público crescente.

Essa percepção atenta de novos públicos e segmentos é imprescindível para qualquer marca, com ou sem crise, mas são em momentos em que a economia fraqueja que pode realmente fazer a diferença. Por isso, é essencial que alguém com a visão estratégica da empresa esteja sempre olhando por cima dos ombros e pensando: “o que está acontecendo lá fora?”.

As marcas e a crise

No final, é a saída da zona de conforto, a busca contante pela inovação, a capacidade de adaptação, a gestão de marca, e a diferenciação que distinguirão as marcas durante a crise, como já o fazem hoje.

A confiança anda baixa e o momento não é dos melhores, mas o dinheiro não desapareceu e nem vai desaparecer, mas para consegui-lo, será necessário quebrar paradigmas e reinventar-se. Crises vem e vão, a questão é encontrar as oportunidades escondidas e ter um pouquinho de coragem, como sempre foi.

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5 comentários Adicione o seu

  1. Serpico disse:

    O medo é o combustível da coragem!
    Muito bom seu texto, sereno.
    Abraços, Ronzi!

    1. Ronzi Zacchi disse:

      Super obrigado, Sérpico. 🙂

  2. Vinícius Madeira disse:

    Texto claro e brilhante
    Percebe-se a percepção que tem do momento que
    estamos, o próprio texto já é inovação para quem o lê.
    Parabéns!

    1. Ronzi Zacchi disse:

      Muito obrigado pelo comentário, Vinícius!

  3. Thaisa disse:

    Muito bom, o que se tem na maioria dos lugares é covardia e não medo. A covardia que colabora para a falta de ação. Não ter medo nenhum forma pessoas inconsequentes.

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