Diferenças entre branding e marketing pessoal e como fazemos isso errado

Tudo que falam sobre marketing pessoal é, em geral, uma bobagem. Acreditem em mim. Toda vez que abro um blog e encontro um post de semi-autoajuda falando da importância do marketing pessoal, listando cinco dicas para um bom relacionamento, sinto uma enorme vontade de dar um tiro na minha própria cara. Simplesmente porque tudo que chamam de marketing pessoal está mais relacionado à hierarquia do puxa-saquismo empresarial, à comunicação vazia e ao egocentrismo do que a qualquer outra coisa.

Antes que você pense que sou um algum radical anticonsumo, eremita, e que vou me explodir num shopping center da cidade, quero deixar claro que trabalho com isso o dia todo, e gosto muito, obrigado. Mas, existe uma diferença muito grande entre fazer “a social” e ter uma marca pessoal reconhecida. O prenúncio dessa diferença já está claramente exposto na dicotomia que abrange os termos marketing e branding.

Se fossemos encarar ao pé da letra (e de forma bem simplória), o marketing poderia ser descrito como a mensagem que a empresa transmite de si mesmo, buscando construir uma imagem na cabeça do seu consumidor. Está relacionado a como comunicamos algo sobre nós mesmos para os outros, e na maioria da vezes, como comunicamos sobre nossos produtos e serviços. Ou seja, como somos bons naquilo o que fazemos, ou naquilo que nossos produtos fazem. Não há necessidade de autenticação, a mensagem é unilateral.

No caso do branding, ao invés de transmitir uma mensagem, o que existe é uma promessa feita à audiência da marca. Essa promessa transmite os elementos da personalidade da marca, o que você pretende entregar, o seu alinhamento, quais as expectativas etc. Não tem relação com produto ou serviço, e sim com identidade. Se bem orientada, essa promessa gera identificação e engajamento. Como toda promessa, ela deve ser cumprida, caso contrário trará apenas desapontamento e frustração ao seu público. E assim, a marca provavelmente irá morrer lenta e agonizante.

Ah, mas prometer é uma forma de comunicar! Te peguei, mané! Sim, quando você promete, você comunica algo a alguém, mas, se analisar, não é unilateral. Ao prometer, você encara o receptor da mensagem como um ator, que vai interagir com você, que participará do processo, e que poderá te cobrar etc.

Então, quando falamos em marketing pessoal, essencialmente falamos da comunicação de uma pessoa que se coloca no lugar de um produto ou serviço em busca de “vender” sua imagem através da comunicação repetitiva no melhor estilo “eu sou o cara”, e assim se valorizar dentro do “mercado” de pessoas, não necessariamente interessado que o receptor nesse mercado participe.

Não, não estou dizendo que o marketing pessoal não é uma ferramenta importante, estou dizendo que ele é totalmente irrelevante sem uma marca. E, quando me refiro à marca de uma pessoa, me refiro a personalidade e essência, e ao alinhamento interno e externo entre sua identidade e sua comunicação. Mais do que fazer o que se fala, uma marca pessoal deve falar através de ações. Ao invés de repetir exaustivamente “eu sou o cara”, através do posicionamento e do cumprimento das promessas estabelecidas pela marca, saber que as pessoas acreditam que “você é o cara” de maneira espontânea, pois essa é a percepção do seu público. É isso aí que vai contribuir com o seu brand equity, não seu blablablá..

Assim, como uma marca empresarial, a marca pessoal deve estar mais preocupada em analisar como ela é vista por sua audiência do que em apenas comunicar uma informação redundante sobre seus produtos e serviços. Essa gestão de identidade e imagem pessoal é tão complicada e cheia de obstáculos quanto a gestão de uma marca empresarial, por sermos indivíduos tão complexos e contraditos quanto. Vai muito além de um lindo cartão pessoal, um bom terno e um discurso elaborado, e está interligado ao planejamento de nosso comportamento e posicionamento para que venhamos a agir de forma coerente e sustentável.

Da mesma forma, através de planejamento estratégico, precisamos localizar pontos relevantes como: Qual é meu principal diferencial? Qual fator determinante me motiva? Qual a história que eu conto? Como quero ser reconhecido e lembrado?

Essas reflexões complexas (quase uma terapia) nos conduzem a uma profunda reflexão sobre como fizemos as coisas no passado, como estamos agindo no presente e o que esperamos do futuro (piegas, né?), e acabam nos auxiliando a encontrar sérios problemas de alinhamento na nossa personalidade e atitude. Para quebrarmos esses paradigmas que nos norteiam, muitas vezes é exigido um sério e doloroso trabalho de análise e rebranding. Pense bem, se você não consegue encontrar um diferencial, como sua audiência poderá encontrar?

Não é um trabalho simples tudo isso, pois, quando gerimos a marca de uma empresa, ela é um terceiro, um outro indivíduo, e dar pitaco na vida dos outros é sempre mais fácil e até prazeroso, mas quando mexemos no nosso próprio armário, podemos encontrar uns defuntos esquecidos há muito tempo lá dentro.

No entanto, todo esse trabalho, pode nos trazer uma perspectiva diferente sobre como queremos agir e nos posicionar, inclusive de como e com quem nos relacionar. Seguindo a máxima do “diga-me com quem andas que te direi quem és”, podemos traçar estratégias de co-branding com outras marcas pessoais, que nos levem a alavancar a percepção da nossa marca, expandir seu significado e pegar emprestado o conhecimento e a experiência de quem nos associamos.

E onde entra o marketing pessoal nesse balaio de gatos? Qual o papel dele?

Bem, ele tem um papel extremamente importante, que não está ligado a livros de auto-ajuda ou a melhor sua aparência, destacar suas realizações e potencial etc. Ele deve comunicar sua promessa, sua identidade, sua postura, seu posicionamento e seus diferenciais através de sua atitude. Mais do que tomar café com o diretor e ir ao happy hour da firma. Deve comunicar de forma honesta e consistente o que sua marca é, pois existe um abismo enorme entre ser um produto e ter uma identidade.

Fonte de referência: caioesteves.com.br

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1 comentário Adicione o seu

  1. Vinícius Madeira disse:

    Brilhante….

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